13 Reasons Why | 1° Temporada


Oi Oi amigos
Tudo certo?

Nada mais justo do que fechar essa série e vir correndo escrever pra vocês, porque eu senti necessidade de me abrir literalmente. Assistindo a essa série, eu me senti desconfortável e é justamente o que esse tema pode causar com todas as pessoas que consequentemente já tenha vivido um pouco disso. Recentemente fiz uma publicação no meu facebook sobre isso e hoje abordarei mais um pouco pra vocês. Suicídio é uma coisa séria e deveria ser discutido em todos os lugares.


A série vai girar em torno da vida de Clay Jensen, um jovem estudante que depois de um dia comum, vai encontrar uma caixa na porta da sua casa. Ao abrir a embalagem, se depara com sete fitas cassetes gravadas pela Hannah Baker, uma jovem que se suicidou recentemente chocando toda a escola que estudava e cidade. Ao começar a ouvir as fitas, Clay vai se deparando com histórias impossíveis e as verdadeiras causas de Hannah ter cometido o suicídio. Hannah define algumas regras para que faça com que as fitas cheguem até a décima terceira pessoa e que todos sintam o que ela passou.


De início isso me deixou bem seco. A atitude de Hannah não é das melhores quando ela decide gravar algumas fitas falando sobre tal coisa. Todos nós sabemos que é difícil lidar com o bulliyng na escola. É horrível passar por isso todos os dias, um lugar onde deveria ser seu segundo lar. Thirteen Reasons Why é desafiadora e corajosa. Contar detalhadamente cada acontecimento da vida de alguns dos alunos foi importante e creio eu que nada fácil para quem escrevia. Talvez tenha sido um desafio para toda equipe da produção até a edição, porque essa série vai ficar marcada.


Marcada com muitos comentários negativos dizendo que a série foi romantizada. ERRADO! A vida de uma pessoa que passa por isso é dessa forma. Fantasiada como Hannah Backer fantasiava com algo feliz, com amigos ao seu lado. Ela tentou de início e o fim foi como? Com ninguém se importando com ela. É assim que tratamos as pessoas. Devemos nos atentar. Tomar cuidado com a forma que nos expressamos. 


Já fui vítima de bulliyng no ensino fundamental, no ensino médio e é uma fase muito difícil porque quando estava nesse estágio, imaginava que aquele momento iria ficar ligado a mim para sempre e que nunca teria um fim. Hannah Baker tentou dar uma chance e provocou a vida. Foi atrás de ajuda, mas não deu a oportunidade certa que o Sr. Porter, que no último episódio é citado, pudesse agir da maneira certa. Achei o personagem bastante fraco como um conselheiro e aquela forma não é a forma certa de deixar a pessoa apenas ir quando você percebe que algo está errado. Hannah dificultou isso, mas então ele como sei lá, um profissional da área de ajuda, me pareceu não conseguir efetuar o trabalho direito.


A personagem, Olivia Baker, que é vivida pela atriz Kate Walsh fez um trabalho sensacional. Muito lamentável ver que até depois de todo acontecimento, nem mesmo seu marido lhe dá a força necessária em pelo menos tentar acreditar que uma justiça seja feita, de que exista alguma coisa errada. Clay Jensen pra mim, foi o personagem de destaque e o único de todas as fitas a ser o mais corajoso. Achei certo ele querer fazer justiça com as próprias mãos. Ele sabia onde estava entrando e claro, meio sem juízo. O penúltimo episódio me disse direitinho que ele é bem louco, voraz e determinado.


Li e ouvi comentários de que a série ficou muito longa desnecessariamente. Do tipo que não precisava de treze episódios, um episódio para cada lado de fita. Eu não li ao livro e creio eu de que deva ser divido por cada "porquê", nos capítulos. Mas na minha opinião, achei cada segundo necessário. Senão, ele não estaria ali. Cada detalhe contado por Hannah, e presenciado por Clay foi importante para a minha visualização de uma verdadeira narração pra uma série. Os diretores e roteiristas aproveitaram bem o tempo. No início quando eu fui vendo aqueles episódios de cinquenta minutos, fui achando um saco, eu confesso, mas quando pulava para o outro episódio, tudo fazia um certo sentido.


A abertura da série ficou muito bonitinha e achei bem simples, como a vida. Achei um enredo fantástico e quero assistir mais coisas nessa vibe. As músicas ficaram tudo a ver com as cenas, o que formou uma trilha sensacional. A fotografia espetacular. A série passa por dois momentos. O presente, enquanto Clay vai escutando as fitas, e o passado, onde Hannah se torna a personagem principal. Achei a sacada da mudança de cores genial. Essa coisa do presente ser cores frias dando uma sensação de morte, solidão, abandono, que a vida está sem cor. Ao contrário de quando Hannah estava viva, usaram cores quentes, vibrantes que podiam demonstrar vida.


Fiquei com bastante dó de Clay. Foi um menino forte pra aguentar a pressão das fitas, as revelações, a vida pesada dentro de casa. Uma coisa que notei, foi que Clay e Hannah eram iguais nos dois contextos da história. Ambos eram sozinhos, não tinham amigos. Os poucos que tinham sacaneavam com eles. Os tornavam solitários por mera opção de não os quererem por perto. Tinham os pais presentes, mas não conseguiam se expressar e dizer o que estavam passando.


Mais uma coisa que me incomoda, é assistir a série, ver todos citados nas fitas ainda quererem calar Hannah. Até depois de ouvirem coisas terríveis deles mesmo, ainda continuam a levar uma vida terrivelmente cheia de segredos e mentiras. As fitas serviram para derrubar todas as máscaras que existiam e deixar eles com vergonha alheia. Bem sangue frio foi Hannah. A cena da banheira foi tensa, confesso. nunca vi algo parecido e nem desejo repetir a dose. Sofri junto com ela e percebi que a vida é rápida e fácil para se perder. Mas Hannah deixa um recado muito forte até depois de morta: Morri, mas me terão em pensamento SEMPRE.


Não sei se seria viável que a série continue. O final foi triste, lamento, mas me deu uma sensação de que deveria continuar. O mistério de Alex me deixou curioso, a cena dos pais da Hannah no final foi pesada demais. Senti a falta de um final digno, é isso!


Então até a próxima, meus queridos.
Caso precise conversar e não tem ninguém, Estou aqui por você. É só mandar e-mail que trocamos uma ideia ;)


Comentários

  1. Muito bacana você se dispôr para quem precise conversar. Ultimamente a vida anda corrida, as pessoas passam o tempo na internet apenas e ter alguém que passe pelo mesmo e possa entender é gratificante. Infelizmente bullying está cada vez mais recorrente e depressão está cada vez em pessoas mais jovens. Cabe a cada um de nós tomar consciência e colaborar com nosso semelhante. Sinto muito pelo que vc passou na sua adolescência, espero que estejas muito bem!

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    1. Eu estou ótimo hoje, Daiana. Me sinto uma nova pessoa. Nenhum insulto me abala. Mas faço justiça. ;)
      E a questão do bullying estar cada vez mais recorrente, creio que seja pelo fato das pessoas terem aceitado isso naturalmente. Tudo é normal e nada mais te deixa triste. As pessoas estão criando armaduras nos filhos que serão quebradas logo mais e serão punidas.

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  2. A série, aparentemente, funcionou bem como adaptação. A questão que deixa a polêmica levantada é a mesma de quando se trata de qualquer tema muito grave: afinal de contas, até onde os fatos são romanceados ou realmente refletem a realidade? Esse não é um problema que a série pode ter tido, mas que a arte como um todo tem, pois, apesar de muitas vezes críveis, histórias são sempre histórias. Bom post e ótimos pontos de vista :)

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  3. Quando terminei de assistir a série, fiquei por um tempo parada pensando em tudo o que tinha acontecido. Senti várias coisas ao mesmo tempo, raiva de alguns personagens depois de ouvir o porquê deles, uma vontade imensa de abraçar o Clay, me juntar com a mãe de Hannah. Eu quero que tenha uma segunda temporada sim, porque quero saber o que acontece com Alex, o que acontece com os pais de Hannah depois de eles ouvirem o pen drive que o Tony entregou pra eles... ainda faltam respostas para algumas das minhas perguntas!

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    1. Para as minhas também, viu!!!
      Me parece que foi confirmada a segunda. Ansioso.

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  4. Eu li o livro a alguns anos e amei, ficou no meu top 10 e preciso dizer que a série não me decepcionou nem um pouco, super fiel e realistica. Eu amei, é bom ver que mais pessoas também gostaram. É uma realidade dura, mas necessária de ser debatida. Muito bom!

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  5. Gente, venho dizer que já desabafei com o Jalysson e foi ótimo! Façam isso se precisarem. E a propósito, ótima resenha, ainda não vi a série, mas pretendo.

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  6. Oi, Jalysson ><
    Achei bem interessante suas impressões. E vou te confessar, de início eu não gostei muito da Hanna, até porque não sabia que rumo a série iria tomar, vi na cara a tapa. E me surpreendi tanto com ela, me apaixonei pela personagem mesmo sabendo que ela iria morrer... e essa série me fez pensar em tantas coisas, refletir bastante. Uma das melhores séries que já assisti, e que deixa uma mensagem maravilhosa, pra quem é bom entendedor. Também fiz um post sobre a série se quiser dar uma olhadinha, vou deixar o link.

    E te indico o fa-le.blogspot.com, pra você se voluntariar. É um blog onde as pessoas mandam desabafos e os voluntários respondem, pra mostrar a pessoa que ela não está sozinha.

    ABraços ><

    http://umremediochamadoler.blogspot.com.br/2017/04/13-reasons-why-serie-da-realidade.html

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  7. Olá!
    Terminei de assistir ontem, não tive pressa pra escrever sobre ela justamente porque decidi assistir a um episódio por dia, com calma. Ela discute um assunto interessante mas me parece mais sobre uma cultura machista do que propriamente bullyng ou depressão. Algumas coisas no roteiro me incomodaram bastante, principalmente quando ela vai na festa na casa do Bryce. Não foi coerente. Mas a série discute um tema interessante e isso fica como legado.
    Até!

    Leonardo

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    1. Consegui encontrar um pouco de machismo também, mas de uma forma criticada.

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  8. Eu li o livro e estava amando a série no início, achei muito bem feita, mas confesso que algumas partes me decepcionaram e ainda não terminei de assistir. Acho que foi interessante fazerem um episódio para cada porque apesar de achar o tempo dos episódios muito grande. Mesmo assim, tenho gostado da adaptação, é pesada mas necessária.

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  9. Adorei a adaptação, li o livro faz muuuito tempo, então era algo que ansiava muito! Sobre o conselheiro, infelizmente, tive uma experiência um pouco similar na minha escola, acredito que eles não saibam ou não se importam verdadeiramente em orientar os jovens. Isso é muito perigoso, pois é um trabalho que pode ajudar muitas pessoas ou prejudicá-las. Adorei o post :D

    Um beijo, Carol
    Blog com V.

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    1. Eita. Sempre há um para se identificar a algo. Triste saber que seu conselheiro não a ajudou, mas feliz por ainda estar aqui. Obrigado, e beijo!

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  10. Terminei de assistir a série tem pouco tempo e li algumas resenhas em que falavam sobre o bullying que ela sofreu. Mas nao acho que foi somente questao de bullying. Foi questao de assédio, foi questao de ter alguém que via coisas e sabia da verdade, nao fazer nada... foi ver tanta coisa que existe no mundo aqui fora e que sao raras as pessoas que abordam sequer o tema.
    Teu post está incrível! Adorei cada parte. E tenho vontade de fazer todas as pessoas assistirem a série, para colocarem um pouco a mao na cosnciencia e refletir o que andam fazendo...

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    1. É esse sentimento que ainda carrego. A vontade de esfregar na cara de algumas pessoas para perceberem onde erram.
      Obrigado ;)

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  11. Eu assisti e realmente alguns assuntos são muito delicados e deixam um pequeno desconforto, mas serve de alerta para os pais ficarem atentos a seus filhos e a tudo que podem sofrer. abraços

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    1. Sim sim. Muito boa para reflexão.
      Outros, querida! ;)

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