Carrie a Estranha | Resenha #75


Esse livro foi escrito em 1972, e até então temos mais de 10 (dez) edições em 45 anos. Conta com três adaptações cinematográficas, sendo a mais recente lançada em 2013. Dezenas de filmes, livros, séries, programas e novelas fazem referência à "mulher sangrenta" (desculpa, Carrie) como em Chocolate com Pimenta (novela da Globo), episódio de Glee (série norte-americana) e até mesmo pegadinha do Silvio Santos (programa de TV)! Quando vi o filme de 2013, eu falei “preciso ler o livro”; tudo bem eu já saber o final, mas (1) sabemos que os filmes não são como nos livros e (2) eu precisava saber o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu e tudo mais... Deu nisso!


Título: Carrie, a estranha.
Autor: Stephen King
ISBN: 9788581050362
Ano de publicação: 2013 
Publicado por: Editora Suma de Letras
Páginas: 200
Onde comprar: Livraria CulturaAmazon




Stephen King nos conta, na introdução, o que o levou a escrever este livro... A necessidade de "criar um monstro" sempre que precisava de mais dinheiro em casa, com sua esposa e seus dois filhos; e a necessidade de expurgar os seus "fantasmas"...  Contou-nos de Tina White e Sandra Irving (nomes fictícios), uma colega de escola e uma vizinha que mesmo (e principalmente) após a morte ajudaram a compor nossa icônica Carrieta White. A história de ambas, nutrida e incorporada por constantes humilhações e manifestações de bulling, mostra a realidade de centenas de garotas e garotos que sofrem com isso e seguem por caminhos tortuosos, mas também é fundamental para entender o complexo e triste mundo de Carrie White.

Logo de cara posso dizer com toda certeza que a vida de Carrie não foi fácil, sendo considerada pela própria mãe, desde o seu nascimento, como uma pecadora. Pra ser mais exata, sua mãe (Margaret White) achou estar sofrendo de câncer, como num teste enviado por deus. Em resumo, o nascimento de Carrie foi em meio a gritos de pura agonia da mãe chamando por Deus, sendo "É um teste. Corte-a", as primeiras palavras dirigidas para a recém nascida.


Ao longo da infância, ocorre pequenos acontecimentos que evidenciam o poder dessa litte girl, como é chamada pela mãe. Na escola é alvo de bulling GROTESCO em níveis altíssimos, e a vida de Carrie não melhorou com a primeira manifestação da puberdade, que ocorre com toda mulher: a menstruação. Ocorreu no chuveiro da escola, onde ela se banhava com outras meninas, e deu um baita susto em Carrie, que achou estar morrendo de hemorragia. No auge dos seus 16 anos, Carrie não tinha menstruado e não sabia o que tinha lhe acontecido...  "Estou morrendo de hemorragia!!"; a única explicação que recebeu de sua mãe, posteriormente, foi a descrição desse fator biológico como "maldição". 


Carrie é uma garota desajustada, e não entender um evento tão natural quanto a menstruação foi o gatilho necessário para garotas mesquinhas zombarem dela com tudo, chegando, inclusive, a jogar absorventes íntimos na nossa protagonista. Sue Snell, uma dessas garotas, procurou se redimir pedindo para o seu namorado, Thomas Ross, levar Carrie ao baile escolar. A rejeição e conspiração de Carrie por parte de muitas garotas e garotos só fez aumentar. Como alguém como a Carrie poderia se achar no direito de ir ao baile com Tommy, afinal?

Billy Harris responde: "sangue de porco... para uma porca!"

No decorrer da trama, Carrie aprende a controlar e compreende melhor o seu dom, caracterizado como Telecinesia – termo que é explicado em páginas do livro. O que posso dizer é que o dom de Carrie foi multiplicado pela vinda da puberdade e ainda expandido pela tortura diária que sofria, tanto pela mãe, por querer ser uma garota normal, quanto pelas colegas de escola, por ser simplesmente ela. Ao longo da leitura, pude acompanhar a história de Carrie a partir de narrativas em terceira pessoa alternada com trechos de livros, entrevistas e documentários escritos pelos sobreviventes e estudiosos do caso.

A grande sacada de SK foi nos mostrar o "como" e os porquês; o final a gente já sabe. Nosso mestre do terror, em seu primeiro livro, nos mostrou que o terror não está somente no sobrenatural. O terror está na feiura da humanidade: o fanatismo religioso, o bulling extremo, o descaso social, o apoio indireto de professores e pais; e ele nos mostrou isso. Em um livro de terror, nunca me senti tão imersa na personagem e tão horrorizada com o poder que as pessoas tem; seja nas palavras, seja nas atitudes. Impossível não se colocar no lugar de Carrie e não se sentir mal com toda a história... Principalmente porque sabemos que ela é baseada em fatos reais e porque traz um tema MUITO presente na vida real.

>>> Recomendo este livro para aqueles que querem ingressar no mundo King! Esse livro vai dar suporte pra ler suas outras obras como Mr. Mercedes, It e Cemitério. Boa leitura! 😘<<<

Comentários

  1. Oi, Rebeca.
    Tinha um pouco de receio de ler esse livro, assumo. Mas depois de ler sua resenha mudei e quero ler. A coisa do terror não estar apenas em coisas sobrenaturais, mas também na humanidade, faz todo um sentido.
    Obrigado pela indicação.

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  2. Ótima resenha muito bom!! Fiquei com vontade de ler o livro 👍

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  3. Obrigada!! Tenho certeza que vão gostar muito do livro que é totalmente diferente dá adaptação cinematográfica. Vale a pena ler!😊

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  4. Juro que não sei em que constelação eu estava brilhando que não li e nem assisti Carrie, a estranha. Já me falaram que eu deveria ler esse livro que vou amar demais, que vou adorar a mãe super católica (porque é um tema que eu goste em livros: religião), agora que estou lendo essa resenha tenho uma dúvida: Leio ou assisto o filme primeiro?

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  5. Se você ler primeiro, vai ter uma base de entendimento pro filme. E se você assistir o filme primeiro você vai morrer de vontade de ler o livro... Mas o filme tem algumas partes bem diferentes do livro (bom lembrar isso). Então, fica a seu critério! Hahah

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