Crítica - O Pequeno Príncipe (2015)

Lançamento: 20 de agosto de 2015 (1h46min)
Dirigido por: Mark Osborne
Gênero: Animação
Nacionalidade: França
Redescubra a história mais amada de todos os tempos.

Adaptações podem ser fiéis aos livros que lhe deram vida e/ou podem ter lá suas liberdades criativas (coisa que pode ou não prejudicar a história) e essas dúvidas (poucas vezes sanadas pelo material promocional) são responsáveis pelo sentimento de incerteza que nos acomete até a data de estreia, ou até a primeiras críticas surgirem. Mas hoje não estamos falando de uma adaptação qualquer, e sim de uma das histórias mais adoradas de todos os tempos, livro de cabeceira da Miss Brasil, responsável por ofuscar o sucesso dos demais livros do autor que lhe criou (Exupery) e monopólio de livro mais traduzido do mundo. O Pequeno Príncipe do diretor Mark Osbourne, porém, não se acanha e opta pelos dois lados. Isso prejudica a história? Em parte sim, em parte não.
“Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, ‘Histórias Vividas’, uma imponente gravura. Representava ela uma jiboia que engolia uma fera...” É com essas palavras que o filme começa, em meio a animações das aquarelas originais do autor e uma narração que cobre todo o primeiro capítulo do livro (!) de forma fiel (!!) e delicada (!!!). Ponto para Mark Osborne pela ótima introdução!


O Pequeno Príncipe é dividido em três partes: A história da Pequena Menina (a qual jamais tem seu nome revelado), a do Pequeno Príncipe e o Clímax.
Na primeira delas – avulsa ao livro – conhecemos a Pequena Menina, uma personagem carismática que é obrigada por sua mãe workaholic a estudar o verão inteiro para entrar em uma conceituada escola. Ao se mudar para um novo bairro, ela logo conhece O Aviador (narrador do livro, agora um idoso), seu vizinho, que irá lhe contar a história do Pequeno Príncipe e ensinar todas as lições que aprendemos como leitores, tudo isso regado à uma amizade  que beira a igualdade daquela que o Pequeno Príncipe compartilhou com a Raposa.
Adorei essa história. A estética impressiona, não tanto quanto a da segunda parte, mas tem seus méritos, principalmente pela mudança brusca nos tons e formas das coisas. No mundo em que a garota vive com a mãe tudo parece cinza e quadrado, nada agradável ou convidativo para uma criança, mas lá no mundinho do Aviador vemos gambiarras das mais diferentes cores e formas. O melhor da primeira parte, porém, é a forma como esta história é intercalada com a do Pequeno Príncipe, em ordem cronológica. As lições são as mesmas, mas inseridas para o nosso mundo de hoje: Não vemos smarthfones ou tablets, apesar disso a crítica QUER e CONSEGUE ser ouvida: A infância está se perdendo.


A segunda parte, e a melhor de todas, é a do Pequeno Príncipe. Provavelmente você já conhece esta história. O Aviador (anos antes, um jovem) cai no deserto com seu avião e encontra o Pequeno Príncipe que lhe pede para desenhar um carneiro... Fico sem palavras com o cuidado que o diretor teve para contar esta história (e não estou falando apenas em fidelidade. Existem cortes em relação ao livro, o que é triste, mas nada que prejudique de maneira drástica o segmento). A técnica de filmagem é de cair o queixo: Enquanto nas partes um e três temos um 3D convencional, nesta é inserida uma ténica de stop-motion que lembra figuras de livros Pop-Art (aquelas que saem do livro quando abertas). Também é nessas cenas que o 3D mais vale a pena, principalmente na questão de profundidade. Inclusive, deixo um adendo: Se for ao cinema, não espere imagens saltando da tela, aqui o 3D é modesto e nos faz emergir para o filme, não o contrário.


O melhor desta parte? É difícil falar. Aqui temos os momentos mais delicados e suaves do filme, fortalecidos e embalados pela doce trilha sonora de Hans Zimmer e Richard Harvey (mas isso é mérito do filme todo). Em suma, adorei as imagens, os momentos mais lúdicos e paradinhos (como o cativar da raposa e do Pequeno Príncipe) e a fidelidade com a qual o diretor criou os personagens; compare-os com as aquarelas presentes no livro, são de uma semelhança quase impecável.
Contudo, fiquei várias vezes me perguntando ao longo da exibição onde haviam ido parar cenas como a do Bêbado, do homem que acendia o lampião e o Geógrafo. Mais tarde eu descobri: Não foi desleixo do diretor, ele apenas pegou os personagens que lhe seriam úteis para a terceira parte.
E enfim chegamos à ela, a terceira parte do filme e, infelizmente, o momento em que tenho que bancar o chato. É aqui que as partes um e dois irão culminar e temos a mescla entre os dois mundos, numa espécie de sequência sutilmente equivocada. O filme se perde por aí. Há a tentativa de juntar todo o universo do livro em um só planeta, e, se incomoda, pelo menos serve de homenagem e reforço para as críticas e lições perpassadas ao desenrolar dos atos.


Porque não gostei? Uso a frase mais famosa do livro para justificar: O essencial é invisível os olhos. Preferia muito mais o final em aberto do livro do que este climax arriscado e longo. Resumindo: Queria mais tempo com o Pequeno Príncipe e menos com liberdades criativas. Contudo, espero mudar de ideia, afinal, não gostei de O Pequeno Príncipe na primeira vez que o li, mas na releitura acabou se tornando um dos meus preferidos. As vezes é assim, não?! Em certos momentos simplesmente não estamos no astral certo ou os probleminhas do dia-a-dia acabam deixando a nossa mente um pouquinho adulta demais. Sim, eu irei rever o filme, quem sabe em breve, e espero realmente mudar de opinião. 
Aliás, decidi não ser tão chato com a terceira parte justamente porque o próprio material promocional do filme não nos enganou. O slogan é preciso: Redescubra a história mais amada de todos os tempos. E foi assim mesmo que me senti ao fim da projeção, mas obviamente o filme não vai interferir na visão das minhas próximas releituras do livro, que com certeza virão, já que este é o tipo de livro que releio consecutivamente.
No momento, resta engolir o gostinho levemente amargo e decepcionante que o terceiro ato deixou e aproveitar e ver qualidade no filme como um todo. É claro que recomendo, é garantia da prometida experiência de redescoberta e, o mais importante, vale o ingresso, a pipoca e o 3D!


4/5


Trailer (dublado):

- Felipe Nunes

Comentários

  1. Posso dizer que me arrepiei lendo sua critica? kkkkkk
    Estou loooouca para ver o filme, mas por incrível que pareça nunca consegui terminar de ler o Livro então estou tentando me segurar. Mas a cada frase aumenta a minha vontade de assistir e ler. Como você disse, nem sempre estamos no astral para ler ou assistir certas coisas, principalmente uma historia como essa que é muito "delicada".

    Aqui esta tudo lindo Jaly, Parabéns... um dos poucos blogs que eu separo um tempo nesse momento corrido da minha vida para dar uma lida. Não é sempre que comento, mas to sempre por aqui ;)

    bjinhoooooooooooos

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    Respostas
    1. Naty :) fico muito feliz por sempre arrumar esse tempinho. Já pela falta do meu não leio muitos blogs, depois do Enem quero ler muitooos. Obrigado pelo seu tempo cedido ao meu blog, fico muito feliz. Beijos.

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